2020 – Um ano de transição para a educação

2020 – Um ano de transição para a educação

Com a realidade ainda um tanto incerta, opiniões se dividem, inseguranças se mantêm e o fato de que a importância do olhar socioemocional para a realidade educacional só se evidencia.

2020 está sendo um ano de transição no qual escolas se descolaram de uma referência padrão e, didaticamente, acredito que possa de dividido em quatro momentos:

  1. ANTES DA CRISE – de janeiro a março – período em que a realidade estava sob controle, planejamentos acertados e atividades escolares dentro de seu curso normal.
  2. DURANTE A CRISE – de março a (aproximadamente) setembro – período em que as aulas presenciais foram suspensas e instaurou-se o ensino 100% remoto (que, vale dizer, é diferente de EAD). Nesse período, as escolas se descolaram de um padrão de referência e precisaram reinventar suas práticas, metodologias de ensino e professores precisaram, forçadamente, conviver com o ambiente virtual em suas aulas. Houve muito aprendizado e uma abertura dolorida, porém reveladora, foi experimentada.
  3. PÓS-CRISE CURTO PRAZO – de setembro a dezembro (talvez janeiro) – período em que as escolas terão a opção de trabalhar com ensino híbrido (remoto + presencial). Início e término dessa fase ainda estão um tanto incertos (podem variar conforme a evolução da COVID-19), assim como a quantidade de pais que estarão dispostos a enviar seus filhos para a escola ou não. Nessa fase, as escolas terão o grande desafio de utilizar o que de melhor puderam colher a partir das duas experiências que tiveram (presencial e online) para, a partir dessa vivência, aprimorar suas práticas e desenhar planos evolutivos. A experiência acumulada até então será determinante para a escola se reposicionar no mercado educacional quando tudo isso passar e quando o “novo normal” se consolidar.
  4. PÓS-CRISE LONGO PRAZO – sem data certa para início, podemos considerar o ano de 2021, no qual a escola terá de firmar sua nova identidade após todas as transformações experimentadas. Nessa fase, questões como “O que aprendemos?”, “Como definimos nossas prioridades e revisamos nossos conteúdos?”, “Qual preparo temos para oferecer suporte socioemocional aos alunos?”, “Como efetivamente incorporamos a tecnologia em nossas realidades?” e “Como migramos do modelo de educação centrada na formação para o modelo de educação centrada na relação” serão determinantes para o processo de retomada.

E o que vai acontecer depois?

Essa resposta dependerá do que escolhermos fazer. Estamos abertos a algumas quebras de paradigmas? O que aprendemos até aqui? Quem seremos a partir daqui?

Eis aí uma reconstrução longa que precisa contemplar, necessariamente, evolução constante.

Vida é movimento, escolas são vivas e a educação não pode estar fora desse contínuo.

Todos estamos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo” (Cora Coralina)

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Renata Melo
Fundadora da LUDIE
https://www.linkedin.com/in/renata-melo-7280989b/