A amizade para as crianças e adolescentes é coisa séria!

A amizade para as crianças e adolescentes é coisa séria!

Em sala de aula ou em casa, a amizade é importante para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional na infância e juventude

Você já parou para pensar na importância que a amizade tem para as crianças e adolescentes? E no tanto de construção cognitiva, socioemocional e de identidade que está sendo feita por trás disso?

São poucas às vezes que pensamos na real importância que a amizade tem para nossos filhos. Da mesma forma que para nós, adultos, é muito importante ter os amigos queridos por perto ou poder nos relacionar com eles e ter a segurança de uma forte amizade, as crianças e adolescentes também precisam disso.

Durante a toda a infância e adolescência, as relações das crianças com seus pares têm um papel primordial em seu desenvolvimento psicossocial – psicológico e social –, que se acentua à medida que esses pequenos crescem.

Entendemos como pares de uma criança o grupo de colegas da mesma faixa etária que compartilham ou convivem nos mesmos espaços – escola, clube, vizinhança, família. O grupo de pares não representa apenas amigos, mas todas as crianças com as quais há relacionamento, seja ele próximo, mais distante, conflituoso.

A diferença entre amigos e colegas para as crianças e adolescentes

Aqui é importante fazer uma distinção entre amigos e colegas. Sabemos quem são nossos amigos e colegas?

Enquanto amigos são aqueles com os quais mantemos uma relação afetuosa, de apoio e intimidade, com os quais compartilhamos nossas dores, tristezas, alegrias e conquistas, com colegas mantemos contato por estarmos no mesmo ambiente social ou por compartilharmos uma realidade comum, mas não por possuirmos uma profundidade de relacionamento.

Então, o mesmo acontece com as crianças e adolescentes! Eles também têm amigos e colegas, podem estabelecer fortes vínculos desde pequenos e sentir que esses amigos são realmente importantes em suas vidas. Para eles, essas pessoas não são apenas “coleguinhas”, mas “amigos do peito”, de quem gostam e que querem ter por perto. Por isso, não devemos menosprezar as amizades que estabelecem, dizendo serem “sem importância” ou “logo substituíveis”. Mas, sim, reconhecer essas amizades, validando sua real importância para nossos filhos.

Bons amigos geram efeitos positivos por toda vida. Por isso, vivenciar amizades nessas fases da vida favorece o desenvolvimento da sociabilidade. E a comunicação (falar e partilhar), como parte fundamental da socialização, é outro grande benefício colhido com essas relações entre amigos, já que é por meio da interação com as pessoas que crianças e adolescentes desenvolvem sua compreensão do mundo. As relações que crianças e adolescentes estabelecem com seus pares é diferente das relações que estabelecem com adultos, por isso podemos dizer que os aprendizados nessas diferentes interações são complementares. Há coisas que nossos filhos só aprendem com seus pares.

Amizade entre as crianças e adolescentes fortalece as habilidades socioemocionais

Como afirmamos anteriormente, as amizades são muito importantes para o desenvolvimento emocional e social das crianças e adolescentes. Com o grupo de amigos, aprendem a esperar, a compartilhar e a dialogar, vivenciam experiências de mundo, negociam acordos, são aceitos, recebem críticas, aprender a ceder. Sendo assim, é importante que as crianças tenham a oportunidade de convivência desde cedo.

As amizades, além de terem toda uma representação relacionada ao desenvolvimento infantil e juvenil, trazem uma série de aprendizados além da socialização, fomentando o desenvolvimento de habilidades importantes: relacionamento, empatia, autogestão, percepção de conceitos de respeito, de limites, de direitos de um e do outro. Por isso, podemos dizer que funcionam como uma espécie de “laboratório de mundo”.

Como nós, pais, podemos atuar diante das amizades

Agora, reflita: você sabe quem são os amigos e colegas de seu filho? Reconhece a diferença entre ambos na vida dele? Essa pergunta é muito importante de ser feita. Lembra-se daquela frase: “Diga-me com quem andas e te direi quem tu és”?

No caso de filhos adolescentes, conhecer quem são os amigos verdadeiros, do que gostam, o que pensam e manter uma relação de proximidade com o grupo de amigos de nossos filhos pode contribuir para o desenvolvimento saudável deles e nos ajudar a conhecer um pouco mais sobre o que estão vivendo.

Ações simples podem ajudar essa construção:

  • Estimular o filho para convidar amigos a virem em casa e preparar um lanche gostoso;
  • Convidar o filho e um (ou alguns) amigo para tomar um sorvete, fazer um passeio ou ir ao cinema;
  • Disponibilizar-se para levar e buscar em festas ou nas idas e vindas da escola (e se esforçar para ser legal no caminho);
  • Ponderar críticas ou correções (aos filhos e seus amigos – muitas delas são desnecessárias e podem nos afastar dos filhos);
  • Conhecer as famílias dos amigos.

Tudo isso nos aproxima dos amigos e familiares dos nossos filhos, e nos ajuda a conhecer um pouco mais sobre o contexto no qual nossos filhos estão inseridos e sobre as pessoas com quem convivem.

Como pais de com as crianças menores, podemos estimular nossos filhos a convidar os amigos para virem à nossa casa e incentivar a formação das amizades, ressaltando como é bom ter amigos, dividir e brincar junto. Conversar sobre como funcionam as amizades, sobre seus amigos queridos e sobre sua relação com eles, também os ajuda a entender melhor o que vivem e a ser mais receptivos nas relações sociais que estabelecem.

Outro ponto importante, independentemente da idade dos filhos, é fortalecer a sua autoestima para que possam estabelecer amizades saudáveis, saibam reconhecer limites e momentos em que não precisam ter uma atitude desagradável ou indesejada. Essa segurança garantirá que nossos filhos sintam-se bem consigo mesmos e internalizem o que é bom para eles.

Em síntese, podemos adotar três práticas para aproveitarmos ao máximo todo o potencial que os laços de amizade de nossos filhos podem proporcionar:

  1. Aprender a valorizar a amizade dos filhos.
  2. Saber quem são, para os filhos, seus amigos e colegas.
  3. Aproximar-se dos amigos do coração dos filhos e da família dos mesmos.

E, com esses três passos, colhemos:

  • Proximidade com nossos filhos.
  • Apoio na construção de habilidades importantes para a vida deles: autoestima, autoconhecimento, socialização.
  • Conhecemos mais sobre a realidade que nossos filhos estão vivendo.
  • Aprendizagens que são diferentes das que vivem conosco, já que os filhos aprendem muito quando convivem com seus pares e amigos.