Alfabetização emocional: por onde começar?

Alfabetização emocional: por onde começar?

A alfabetização emocional é essencial para o processo de aprendizagem

Como queremos que uma criança lide bem com seus sentimentos se nunca as ensinamos o que são emoções, de onde vêm e o que podem fazer com elas?

Você já parou para pensar sobre quanto os comentários referentes às crianças em geral mudaram nos últimos tempos?

Algumas frases passaram a fazer parte do nosso dia a dia, sendo facilmente repetidas: “Hoje em dia as crianças perderam o respeito pelos adultos”; “Antigamente não era assim”; “Parece que a cada dia surge uma nova síndrome, um novo transtorno de comportamento”; “Crianças com depressão, suicídio infantil… que realidade é essa?”; “Esses pais não sabem mais como educar os filhos, cedem a todas as suas vontades…”

A verdade é que nossa realidade mudou. Muito e rapidamente.

A internet se popularizou na década de 1990 e essa revolução tecnológica trouxe uma mudança enorme para a nossa realidade.

Em tão pouco tempo, conectou pessoas do mundo todo, aproximou culturas, mudou mecanismos de relacionamentos e trouxe uma facilidade de acesso à informação nunca antes imaginável.

Com isso, nos deparamos com essa nova geração com diferenças tão grandes em relação a nossa que, por vezes, podemos até ter a sensação de que não somos do mesmo planeta. Conceitos de valores, crenças, necessidades, liberdades… Tudo muito diferente da realidade que tínhamos.

Um vulcão em erupção

O fato é que hoje temos uma geração super conectada, com um desenvolvimento cognitivo mais avançado e com necessidades emocionais que não acompanharam essa velocidade de transformação.

Muitas crianças e jovens hoje têm acesso a um enorme volume de informações e estímulos sem estarem preparados emocionalmente para lidar com essa realidade.

Por isso, trabalhar a alfabetização emocional desses alunos é tão importante.

Ajudá-los a se conhecer, perceber o que sentem e encontrar alternativas para lidar com esses sentimentos é essencial para que se desenvolvam de forma equilibrada e consigam evoluir em seu processo de aprendizagem.

Costumamos dizer que crianças com necessidades emocionais não atendidas chegam à sala de aula como se tivessem um vulcão em erupção dentro de si e, enquanto este vulcão não se acalmar, a criança não tem como absorver novos conteúdos.

É como se nada “entrasse” nela, pois todo o seu espaço de atenção, memória e energia está tomado pelas lavas e fumaças que esse vulcão emocional produz.

Precisamos ajudar esses alunos a acalmarem essas necessidades, para que possam retomar a serenidade e o equilíbrio necessários tanto ao processo de aprendizagem quanto ao seu desenvolvimento sadio.

E a alfabetização emocional é o primeiro passo desse processo.

A alfabetização emocional é uma necessidade de todos os alunos – uns mais do que outros

Ajudar as crianças a identificarem e nomearem o que estão sentindo permite que elas comecem a perceber como lidar com essas emoções e sentimentos. E, nesse processo, nosso papel de educadores é determinante.

Independentemente de quem seja o detentor dessa responsabilidade (pais, família, educadores, escola), o fato é que há poucas pessoas preparadas para lidar com essas necessidades e muitas possibilidades que precisam ser trabalhadas na escola.

Diante dessa realidade, a escolha sobre “até onde queremos ir” é de cada educador individualmente.

“O que estou disposto a dedicar aos meus alunos?”, “O que quero construir com eles?” e “O quanto me vejo nesse processo?” são perguntas que cada um deve se fazer, considerando suas possibilidades e, também, suas necessidades pessoais.

Todos os alunos, sem exceção, precisam de ajuda para esse processo de alfabetização emocional. Precisam de apoio para aprender a se perceber. Aprender a olhar para si mesmos, para o que sentem e para o que desejam.

Precisam de ajuda para aprender a identificar o que lhes causa determinada emoção e o que podem fazer diante dela.

“Por que fiquei tão nervoso assim?”, “O que me aconteceu?”, “Sei que não posso bater no meu amigo, mas estou com muita raiva, então o que faço para colocar isso pra fora de alguma maneira?”, “Como posso retomar a calma para conseguir agir de maneira correta?”. Essas são algumas perguntas que precisamos estimular essa nova geração a se fazer para que consiga descobrir como lidar com suas emoções.

Trabalhar a alfabetização emocional a partir dos estímulos à comunicação emocional pode ser mais simples do que imaginamos.

Que tal começar a investir em espaços para falar sobre emoções em sua escola?