Castigos na infância: será que eles funcionam?

Castigos na infância: será que eles funcionam?

Castigos na infância ainda são muito comuns, mas será que eles são mesmo eficazes?

Castigos na infância, quem nunca ouviu falar deles: uma palmada, a perda de uma festa, ficar sem assistir TV, o cantinho do pensamento… São realmente muitas mudanças entre a educação que tivemos e a educação que podemos ou devemos dar às nossas crianças.

“E agora, como saber o que devo fazer para corrigir o comportamento do meu filho?”

Essa é uma dúvida frequente que aflige muitos pais e educadores, então hoje vamos falar sobre ela.

Castigos na infância são formas encontradas pelos adultos para punir a criança por um comportamento errado que funcionaram por muito tempo, mas que, nos dias atuais, vem perdendo sua força.

Há dois pontos chaves para explicar essa mudança:

1. Estimular a responsabilidade

As crianças de hoje têm muito acesso a informação, são muito estimuladas e, por consequência, questionam e argumentam muito mais do que nós quando éramos pequenos.

Elas querem entender o que acontece e encontrar sentido no que vivem, por isso um simples “não” tem grandes chances de resultar numa resposta “por que não?”.

Essas crianças certamente vão entender e se comprometer muito mais com a solicitação do adulto que lhe explicar os motivos de sua atitude do que com a imposição de sua ordem.

Quando permitimos que a criança viva verdadeiramente as consequências de seus atos, temos um resultado muito mais produtivo do que quando simplesmente lhe aplicamos um castigo, pois assim, fortalecemos nela seu senso de responsabilidade, ao invés de apenas despertarmos um sentimento de raiva ou frustração.

Assim, se meu filho quebra um quadro porque jogou bola dentro de casa, é mais construtivo que eu lhe diga calmamente: “Você sabe que não deve jogar bola dentro de casa. Você quebrou o quadro então não poderá ir ao aniversário de seu amigo, pois terei que usar o dinheiro do presente para consertar o quadro.”

Nesta situação, não há brigas, desgastes ou punição impositiva, mas, ao contrário, há um despertar de consciência.

O mesmo acontece numa sala de aula se o professor conversa com os alunos, apresenta-lhes claramente suas responsabilidades e reflete sobre as escolhas e consequências de cada atitude deles.

“Por que tenho o direito de fazer bagunça em sala e prejudicar o estudo dos meus amigos? Como vou aprender se não me esforçar e me comprometer? Se sou ouvido e tenho minhas necessidades respeitadas, porque vou pisar na bola com meu professor?”

2. Risco de intimidação e contenção

As crianças acreditam nos adultos e querem sua aprovação, mas faz parte da infância testar limites. Elas crescem e descobrem suas novas capacidades e, nesse processo, cometem erros que precisam ser corrigidos.

Mas quando nós adultos usamos de muita autoridade e contenções exageradas com frequência, podemos, sem perceber, intimidar ou inibir o desenvolvimento da criança, gerando nela um medo exagerado de ser punida.

Um pequeno que recebe constantes punições e bloqueios dos pais tende a ser “moldado” de uma forma a explorar menos, se aventurar menos e, assim, se desenvolver menos.

Além disso, alguns castigos na infância podem ser mal interpretados pelos pequenos. Vale lembrar que eles ainda não têm a mesma capacidade de raciocínio dos adultos e, por isso, podem entender um castigo de forma não clara, principalmente se ele não estiver associado ao erro que ele cometeu.

Imagine o exemplo: “Você vai perder a festa de hoje, porque não guardou os seus brinquedos.”

Qual a ponte de ligação entre a festa e os brinquedos? A criança talvez não consiga fazer essa análise sozinha e aí corre o risco de interpretar essa situação como injusta e ficar frustrada sem adquirir o aprendizado correto, ou então entender que precisa ser mais esperta para que os pais não percebam seus erros novamente.

A criança precisa de clareza na comunicação, principalmente quando há um erro a ser corrigido.

Sabemos que há momentos em que alguns castigos ou punições precisam ser aplicados. Há vezes em que a criança se recusa a aceitar o que estamos dizendo ou arrisca testar seus limites de uma forma mais insistente.

Sim, há (raros) momentos em que precisamos ser mais enérgicos e autoritários, mas, independentemente da solução final que adotaremos, precisamos necessariamente ser claros na comunicação com a criança.

Antes de um castigo ou punição, é necessário um diálogo, uma orientação e uma chance para que ela tenha a possibilidade de escolher o bom comportamento.

E quanto a seus erros… ah, eles são excelentes oportunidades de crescimento, afinal as crianças aprendem a fazer o certo errando muitas vezes!