Escutar e acolher: o que podemos fazer diante de tragédias?

Escutar e acolher: o que podemos fazer diante de tragédias?

Diante de uma tragédia como a de Suzano, devemos sempre olhar primeiro para dentro de nós mesmos

Na semana que se passou estivemos imersos, mesmo que de longe, na tragédia ocorrida na Escola Raul Brasil, em Suzano.

Isso acontece porque naturalmente sentimos o impacto do ocorrido e passamos a pensar o que podemos fazer na nossa realidade escolar.

Por isso, em situações tristes como essa, precisamos de tempo para acalmar a turbulência de emoções e sentimentos.

Nós da Ludie queremos olhar para essa triste situação e propor uma reflexão diferente.

Agora, com os ânimos acalmados, podemos olhar e entender que não devemos procurar “culpados fora da gente”, mas procurar dentro de nós, dentro da nossa realidade diária, daquilo que está perto, o que podemos fazer para ser a diferença.

Como podemos distribuir amor às pessoas que estão convivendo conosco no dia a dia ao nosso redor e às pessoas que cruzamos? Como conseguimos propagar o amor que tanto falta no mundo? E, principalmente, que atitudes precisamos ter para contribuir com a redução dessas tantas carências emocionais que a sociedade tem?

As respostas para tais perguntas devem se pautar em duas atitudes: escutar e acolher.

Nesse sentido, precisamos olhar para as necessidades socioemocionais em sala de aula tanto dos alunos quanto dos professores e equipe escolar.

Lidar com emoções e sentimentos não é fácil, assim como expressá-los. Em situações de crise que afetam e mobilizam a sociedade, é importante criar uma rede de apoio e suporte por meio de espaços de escuta e acolhimento.

E tem se tornado cada vez mais essencial desenvolver de forma contínua práticas de aprendizagem socioemocional.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo publicou o vídeo O Dia Seguinte para orientar professores e gestores sobre como lidar com a situação ocorrida em Suzano.

No vídeo, o pesquisador Raul Alves, do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (GEPEM) da UNESP/UNICAMP, também propõe que as escolas devem “proporcionar um espaço onde os alunos consigam expressar seus sentimentos, dizer o que eles estão sentindo porque, ainda que a tragédia não esteja perto geograficamente, ela está perto da nossa realidade. E é uma realidade, um contexto, muito parecido com o nosso”.

De acordo com Alves, para se pensar nos próximos passos, “as ações que tem que se dar, a partir de agora, num movimento de dar oportunidade para que esses alunos, professores, funcionários e famílias expressem o que eles estão sentindo porque lidar com o luto, com a situação ruim é muito importante”.

A psicopedagoga e pesquisadora da UNIFESP Alcione Marques reflete sobre a racionalização da tragédia no vídeo. “É importante dizer também que as pessoas tendem a racionalizar, a querer achar uma razão para o que aconteceu: Por que será que fizeram isso? Racionalizar, achar uma resposta, um porquê, é muita busca para aliviar a angústia. Mas essas respostas nem sempre estarão disponíveis. Lidar com os sentimentos é o que nós temos agora. É real, está ali disponível e com o apoio mútuo de todos nós dentro da escola e dentro da rede”, analisa.

Renata Melo, Diretora de Conteúdos da Ludie e integrante do GEPEM da UNESP/UNICAMP, ressalta a importância de olharmos para essas tantas carências emocionais que a tragédia evidenciou.

“Há importantes aprendizados que podemos colher a partir de uma dor. Nosso equilíbrio emocional é construído ao longo do tempo. Por isso, apoiar o desenvolvimento socioemocional das crianças desde cedo ajuda a prevenir lacunas emocionais em sua formação que podem prejudicar o seu desenvolvimento e suas atitudes no futuro. É esse olhar atento para necessidades e carências que nos permitirá escutar, entender e acolher nossos alunos e, assim, proporcionar-lhes um desenvolvimento pleno, cheio de afeto, bem-estar e, principalmente, amor”.

Abaixo, você pode assistir ao vídeo O Dia Seguinte: