O que é Mindset e como isso pode transformar a educação? – PARTE II – Elementos influenciadores

O que é Mindset e como isso pode transformar a educação? – PARTE II – Elementos influenciadores

O termo Mindset se popularizado com o livro “Mindset, a Psicologia do Sucesso”, de Carol Dweck, professora de Psicologia da Universidade de Stanford.

Lançada no Brasil pelo selo Objetiva da Companhia das Letras, a obra traz importantes reflexões que podem ser aplicadas na educação. Pensando nisso, a LUDIE elaborou uma série de três textos sobre o que é o tão falado Mindset e como aplicá-lo na educação de forma transformadora tanto para os educadores quanto para os alunos.

Clique aqui para ler o texto anterior “O que é Mindset?”

Na segunda parte da série, falamos sobre o que influencia o desenvolvimento do nosso Mindset. Acompanhe a reflexão que se aprofunda na obra de Carol Dweck.

Parte II: Elementos influenciadores no desenvolvimento do Mindset

Você já parou para avaliar como o julgamento que você faz ao seu respeito interfere na sua disposição para lidar com os desafios da vida? Já observou que as crenças que tem a seu respeito podem te encorajar ou desencorajar a ter iniciativas, posturas e atitudes que irão interferir no curso de sua história e nos resultados que você irá colher?

Sem dúvida o conceito que temos ao nosso respeito torna-se a base para nossas condutas e poderá interferir até mesmo na relação que estabelecemos com nossos sonhos e projetos para o futuro, bem como na forma como os acolhemos e investimos em atitudes para que eles sejam alcançados.

Mas quais são os elementos que influenciam no desenvolvimento do nosso Mindset?

Podemos dizer que desde a vida intrauterina estamos sujeitos às influências emocionais vindas de nossos pais (nesse período especialmente da figura materna) e que, posteriormente ao nascimento, nossas vivências emocionais são fortemente influenciadas pela maneira como nossos cuidadores e figuras de referência (pais, familiares e educadores) se relacionam conosco. Através desta relação experimentamos uma multiplicidade de emoções e sentimentos que oferecerão um cenário emocional para nosso desenvolvimento e para a forma como compreenderemos a vida.

Sendo assim, as crianças que crescem em um ambiente amoroso, acolhedor e empático terão mais chance de desenvolver condutas empáticas ao longo da vida e boa disposição para se relacionar afetivamente consigo e com os outros. Por isso, se sentirão seguras em demonstrar seu afeto e serão mais flexíveis e adaptáveis em circunstâncias mais desafiadoras. Por outro lado, as crianças que crescem em um ambiente mais hostil, menos acolhedor, onde a manifestação do afeto se dá de forma mais restrita, provavelmente terão mais dificuldade em relacionar-se consigo e com o outro de forma afetuosa e serão tomadas frequentemente pelo sentimento de insegurança. Terão medo de lançar-se em novas experiências, sendo menos flexíveis e mais resistentes diante da necessidade de fazer adaptações.

Também podemos dizer que esta relação com as figuras de referência dará à criança um desenho inicial de como é a vida e de como ela própria é, quais são suas qualidades, suas possibilidades de desenvolvimento e de conquistas futuras. O adulto poderá estimular a criança a sonhar, a desejar um bom futuro para si e desenvolver novas habilidades para alcançar suas conquistas, mas também poderá estimular nela sentimentos de impotência, de baixa estima, de resignação e conduta passiva diante dos desafios que virão ao longo de seu desenvolvimento.

É importante avaliarmos que tipos de estímulos oferecemos às crianças

Enquanto pais e educadores, é importante que avaliemos que tipo de estímulo estamos oferecendo para nossas crianças, como estamos apresentando o mundo para elas, que tipo de crenças sobre suas próprias potencialidades as estamos ofertando. É também muito importante que enquanto adultos possamos avaliar quais são as nossas crenças a respeito da vida e de nós mesmos, qual o nosso Mindset, pois o que ensinamos é fruto de como vemos e sentimentos. Esta autoavaliação é parte essencial de um processo de autoconhecimento que deve ser contínuo, pois só assim podemos nos dispor a desenvolver novas habilidades e nos tornarmos mais capazes de nos relacionar com a vida em suas variadas circunstâncias.

Observar as atitudes da criança diante de novas experiências e desafios é uma boa maneira de sondarmos que tipo de Mindset ela está desenvolvendo e, a partir daí, oferecermos para ela o suporte emocional e os estímulos adequados para que possa testar novas possibilidades de agir, possa sentir-se segura em desenvolver novas condutas. O ambiente emocional que circunda as experiências é um elemento importantíssimo para que a criança possa apresentar uma disposição mais ou menos positiva diante das mais diversas situações. Sendo assim, enquanto figuras de referência para esta criança, nós podemos atuar na criação de um ambiente emocional saudável, receptivo e acolhedor às experimentações da infância.

 

Fabiana Guimarães
Psicóloga Clínica e da Educação
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