Como preparar as crianças para a retomada das aulas presenciais

Como preparar as crianças para a retomada das aulas presenciais

Depois de sustos, medos, perdas e inseguranças, um novo cenário ainda incerto começa a se apresentar em nossas realidades.

À medida que o caos da doença começa a se afastar, que novas possibilidades começam a surgir, que a esperança renasce com uma vacina que se aproxima, um “novo normal” se constrói.

E como será esse novo normal para toda uma geração que experimentou essa realidade enquanto se formava? Como podemos ajudar nossos filhos e alunos a entrar numa nova retomada, na qual a realidade será também diferente da que estavam acostumados antes?

Durante a pandemia, encontramos experiências muito diferentes entre as famílias. Houve aquelas que mergulharam num confinamento profundo, outras que reduziram contatos em proporções menores, outras que mudaram completamente suas rotinas e hábitos. Essas diferentes experiências fizeram com que as crianças percebessem a realidade com suas perdas e ganhos, também, de formas diferentes.

O mesmo deve acontecer quando as aulas retornarem. Algumas crianças virão às escolas de formas menos preocupadas, outras com muitos receios, outras com seus lutos e questões emocionais afloradas, enquanto outras nem sequer virão neste primeiro momento.

E, diante desse cenário, o que podemos fazer para ajudar nossos pequenos a se adaptarem de forma tranquila e equilibrada à nova realidade que se apresenta?

Algumas dicas aos pais podem valer ouro neste momento:

Validação emocional – estejam atentos às emoções, expectativas e desejos de seus filhos. Muitas delas podem parecer simples ou sem importância para nós, adultos, mas para eles que ainda são pequenos são questões muito relevantes. Então respeite, valorize e considere as emoções de seu pequeno.

Previsibilidade – se toda essa situação é nova para nós, imagine para os pequenos que têm muito menos informações e capacidade de entender o que está acontecendo. Conversar com seu pequeno, explicar sobre o retorno, sobre as diferenças que ele irá encontrar ao voltar para a escola, perguntar sobre suas expectativas, desejos e ajudá-lo a perceber a nova realidade como divertida e positiva – “que bom que temos todos esses protocolos. Sem eles, não poderíamos voltar a ver os amigos e a professora” – são ações importantes para ele.

Diferentes realidades – nem todas as crianças poderão voltar e é importante explicar isso aos pequenos. Assim os ajudamos a desenvolver a empatia: posso entender qual a minha realidade, qual a realidade dos meus amigos e a importância de respeitar as diferenças: “Talvez minha família esteja preparada para abraçar outras pessoas, mas a do meu amigo não, então preciso respeitá-lo. Ele continua gostando de mim, mesmo sem me abraçar”.

Ludicidade e afetividade – lembram-se do filme “A vida é bela” e de como seu personagem principal conseguiu usar sua imaginação para transformar a triste experiência da guerra numa grande brincadeira para seu filho? É disso que tratamos quando levantamos esse tema: pintar a realidade com cores de infância antes de apresentá-la às crianças. Aqui não se trata de mentir ou ocultar verdades, mas dosá-las em medidas que sejam adequadas às idades para que não se formem traumas ou bloqueios.

Parceira e equilíbrio – nem só de competências cognitivas se prepara um aluno para o futuro. A realidade nos mostrou o quanto outras competências são necessárias e podem ser vividas e aprendidas na escola. Pois bem, essa nova realidade é uma construção conjunta que emerge da parceira escola/família. Ao cuidar do retorno de seu filho, cuide também da relação que você tem com a escola, com a professora. Lembre-se: somos todos seres humanos fragilizados por dores e perdas e estamos num mesmo barco: o barco da educação de uma nova geração numa nova realidade. Se somarmos forças, teremos, certamente, mais recursos para apoiar nossos pequenos e promover as mudanças na educação que tanto almejamos.

Filhos seguros são frutos de relações seguras.

Filhos felizes são frutos de perspectivas positivas de vida.

Necessidades humanas não são desejos, são prioridades; e as emoções são as grandes catalisadoras da aprendizagem.

Como adultos, precisamos olhar para nossas próprias expectativas, emoções e relações. É a partir delas que nossos filhos construirão as deles.

Reaprender, recomeçar, reconstruir. Essa é a grande dádiva que essa experiência nos trouxe!