Uma retomada mais emocional do que nunca

Uma retomada mais emocional do que nunca

Se alguém nos contasse, alguns meses atrás, apenas um pouco do que aconteceria no mundo este ano dificilmente acharíamos possível.

Lembro-me de uma conversa com uma senhora de 93 anos sobre o que estamos vivendo e de sua resposta: “Minha filha, já vi muitas coisas nessa vida. Passei por guerras, por ditaduras, por doenças… Já vi fome, já vi perseguições e dores. Mas uma coisa como essa que estamos passando, nunca pensei que pudesse viver algo assim…”

O mundo todo parou, sentiu medo, perdeu. Perdeu muito.

E agora o mundo todo está aprendendo, se transformando…

É, de certa forma, o mundo todo se conectou.

Ao menos numa mesma expectativa por uma vacina…

Uma vez que perdemos nossa rotina, nossa liberdade de ir e vir, nossos planos, rendas, empregos, abraços, momentos e encontros que deixaram de acontecer, perdemos muito. E isso doeu.

Experimentamos a estranheza de uma nova realidade. Recriamos rotinas, relações, vivências. Emoções afloraram, o humano desnudou-se em questões íntimas, pessoais e coletivas.

A humanidade experimentou podas.

E agora pequenos brotos começam a surgir.

À medida que o caos da doença começa a se afastar, que novas possibilidades começam a surgir, que a esperança renasce com a confiança da vacina que se aproxima, um “novo normal” se constrói.

E como será esse novo normal para toda uma geração que experimentou essa realidade enquanto se formava? Quais marcas essa experiência deixará nas lembranças e nas emoções que constituem nossas crianças e adolescentes?

Olhar e aprender sobre as necessidades humanas se tornou, além de essencial, urgente! Sim, já falávamos sobre isso antes, mas agora, sem outra opção, tivemos que viver isso.

E o que aprendemos? E o que ensinaremos em nossas escolas, em nossas aulas, para nossos filhos?

Será que, como educadores, estamos prontos para retomar nossos postos, aptos a:

  • Ouvir mais do que falar,
  • Esperar mais do que apressar,
  • Apoiar mais do que exigir,
  • Estimular mais do que determinar,
  • Descobrir mais do que saber,
  • Conectar mais do que hierarquizar.

Será que estamos prontos para sentir juntos?

O futuro a nós pertence e os brotos desse novo normal, certamente, dependerão muito dos nossos cuidados, das nossas atitudes, das nossas emoções!

Para entrar na nova educação, é preciso desconstruir para reconstruir e, retomando os pilares apontados pela Unesco no relatório “Educação, um tesouro a descobrir”, eu diria que é preciso:

Reaprender a aprender,

Reaprender a fazer,

Reaprender a viver e…

Reaprender a ser.

Ah, que sorte terão as novas gerações se essa for a nossa escolha!